Dar risadas pode fazer mal à saúde, diz estudo. Variedades

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Como é bom juntar os amigos para dar umas risadas, não é? Quem nunca fez isso para espantar aquela depressão do fim de semana ou o estresse após um dia de estudos ou trabalho bem cansativo? Já ouvimos várias vezes que rir faz bem pra saúde e que os que riem menos são menos saudáveis e mais mal-humorados por conta daquilo. Infelizmente, de acordo com um estudo divulgado pela revista britânica BMJ, que antes era conhecida como The British Medical Journal, o riso pode trazer danos à saúde.

São vários os problemas que podem ser ocasionados, entre eles duas síndromes muito raras e perigosas, a Pilgaard-Dahl e a de Boerhaave. A primeira é nomeada com os sobrenomes de dois comediantes dinamarqueses que, sem intenção, é claro, faziam com que a síndrome agisse. Ela afeta homens fumantes de meia idade e gera neles uma pneumotórax, que é o acúmulo de ar entre o pulmão e a capa que reveste a caixa torácica, gerando dor, dificuldades de respirar e após algumas possíveis complicações, até a morte. A segunda é ainda mais estranha e sua capacidade letal é grande, tendo o riso como principal fator de causa. Ocasiona uma perfuração do esôfago, que acontece de forma espontânea e devastadora. A pessoa tem insuficiência respiratória sem nem mesmo saber o porque e pode vir à óbito em pouco tempo caso o furo aumente.

Além disso também há problemas teoricamente mais simples, mas que se não foram tratados podem gerar complicações maiores, como desmaios, arritmia cardíaca, enfisema, que é a ruptura dos tecidos pulmonares, dilatando-os e gerando um mal estar intenso, engasgamento e a tão conhecida “Incontinência do Riso”, que como publicado em 1982 pela Lancet, é bem normal quando o riso é prolongado e faz muitas pessoas “molharem as calças” em momentos nada oportunos.

A pesquisa foi feita com base em revisões selecionadas entre outras 5000 e intitulada “Laughter and Mirth (Methodical Investigation of Risibility, Therapeutic and Harmful)”, que traduzindo para o português é algo como “O riso e a investigação metódica da risada terapêutica e prejudicial”. Ela faz parte da programação usual da BMJ para os fins de ano, que há algum tempo publica algo sério e bem elaborado, mas de assuntos divertidos.

Entre as publicações descontraídas deste último fim de ano estão “Were James Bond’s drinks shaken because of alcohol induced tremor?” Que significa “Os drinques de James Bond eram batidos por conta de tremores causados pelo alcoolismo?”, “The survival time of chocolates on hospital wards: covert observational study”, traduzido como “O tempo de sobrevivência dos chocolates nas alas hospitalares: um estudo observacional secreto”, e “Operating room safety: the 10 point plan to safe flinging” Que é “Segurança na sala de operação: um plano em 10 passos para um arremesso seguro”, com precauções a serem tomadas como: “Antes de arremessar, identifique o alvo e a área atrás dele”, e “nunca arremesse um instrumento para o alto”.

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De forma espontânea é que os editores tratam o caso, que veio a calhar já que o assunto não era abordado de forma séria há mais de um século, quando em 1898 e 1899 foram publicados casos de uma menina de 13 anos que teve um ataque cardíaco por rir demais e de um médico italiano que usava um tratamento chamado “Gelototerapia”, que cuidava de pacientes com bronquite a partir das risadas.

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Sobre o assunto dos benefícios e de tratamentos de saúde a partir do riso, não parou por ai. Depois de 1899, em 1923 o autor e pesquisador James J. Walsh lançou seu livro de terapia chamado “Riso e saúde” (Originalmente, Laughter and Health), mas que nem teve tanta repercussão e atenção pela mídia.

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A pesquisa teve como coautores a dupla Robin E. Ferner e Jeffrey K. Aronson, ambos professores especializados na área de farmacologia. Eles queriam assuntos que tivessem essa temática “Danos x Benefícios”, e depois de procurar até por alimentos, mas que não teve sucesso pela divergência do gosto dos dois, chegaram ao riso, “já que nós dois gostamos de um humor sardônico”, de acordo com Ferner. Foram por eles recolhidos 785 artigos sobre o riso, sendo que 85 falavam dos benefícios, 114 sobre os danos e os outros 586 sobre simplesmente o que poderia ocasionar o riso crônico.

A dupla, juntamente com o restante da equipe, fez uma comparação e levantaram a questão “custo-benefício” do riso para a saúde humana. Contrapondo todos os malefícios citados acima estão várias coisas boas que o riso trás, como a diminuição do estresse, da raiva, da ansiedade, melhora do humor, melhora a auto-estima e normalmente é feito em um grupo amigo, o que afasta a depressão. Diminui os sentimentos de solidão, a concentração de açúcar no sangue, o risco de infarto no miocárdio e a tensão cardiovascular, sem falar nos momentos em que foi utilizado como tratamento para a ajudar no aumento da função pulmonar e em todas as pesquisas que deixa evidente a ajuda dos palhaços nos tratamentos médicos.

Em 2011, inclusive, a ação dos palhaços veio a calhar até em mulheres com dificuldades de engravidar. Elas foram submetidas a um processo de inseminação artificial receberam um espetáculo de um palhaço vestido de chef de cozinha. A fantasia não há como explicar, mas o processo deu certo em 36% delas, sendo que aquelas que não viram o espetáculos tiveram êxito em apenas 20%.

“Não sabemos até que ponto o riso é seguro. Provavelmente existe uma curva em forma de U: o riso é bom para você, mas em quantidade extrema ele talvez faça mal.”, foi o que afirmou Ferner, que ainda vê o riso como uma infinidade de assuntos mal explorados e de difícil compreensão.

Com tantas coisas boas é até complicado dizer que rir faz mal, não é mesmo? “O equilíbrio entre os benefícios e os danos é provavelmente favorável”, foi o que disse a equipe. Tenho que concordar! Entre ficar sem rir e correr o perigo de algo exageradamente bom para a nossa saúde, é melhor manter o sorriso no rosto e dar boas risadas, mas antes de fazer algum asmático cair na gargalhada, lembre de tudo que pode vir a ocorrer.

Fonte: UOL

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Tenho 18 anos e sou estudante de Engenharia Civil da Univix – Faculdade Brasileira, em Vitória, Espírito Santo.