O escândalo do Instituto Royal e o caso dos gatos-bonsai Variedades

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Acredito que todos ouviram, nessas últimas semanas, sobre o escândalo no Instituto Royal. Mais de cem ativistas invadiram o prédio de pesquisas, que fica em São Roque – SP, e levaram 178 cães da raça Beagle, coelhos e ratos que eram submetidos à pesquisas para a criação de novos medicamentos.

Os ativistas acusaram o instituto de maus tratos, e por isso invadiram o local. Logo nas horas seguintes à invasão, começaram a divulgar as fotos que tanto chocaram as pessoas. Se espalharam numa velocidade assustadora que só as redes sociais possibilitam, e começou um período de revolta da comunidade protetora dos animais.

As fotos continham um cão com um olho costurado, um que não tinha uma das patas, alguns deles que estavam, de acordo com eles, sem pele em um pedaço do corpo, outro com a língua cortada, e até mesmo um pequeno beagle congelado, que supostamente seria parte de um teste. Isso sem falar em um que “teve violentamente”, os dentes colados. Imagine, de início, o impacto daquilo tudo. Estranho seria se não assustasse.

Certo, mas fica o questionamento… Como saber se todas as fotos eram verdadeiras? Não seria nenhuma novidade que alguém manipulasse-as e começasse a espalhar somente para que o caso tomasse o gosto da mídia como foi feito em 2000 com os gatos-bonsai. Nesse caso, ainda sem todo o alcance da internet, que era de uso limitado a poucos, as fotos de gatos criados dentro de garrafas e de alguns que eram presos com a cabeça em um cubo para que ela ficasse daquela mesma forma foram divulgadas. A revolta foi generalizada, como esperado, mas o que não sabiam era que as imagens realmente eram falsas e haviam sido manipuladas por um estudante norte-americano. O pior é que já haviam sido desmascaradas em poucos dias, mas circularam ainda por alguns anos pelas caixas de entrada.

Bem, se as fotos dos gatos-bonsai foram desmascaradas, por que não haveria a possibilidade de as fotos dos beagles também serem falsas?

E sim, algumas são falsas. Não saíram de dentro do instituto aquelas que continham um cão com o olho costurado e nem a da pata cortada. Ambas já eram circuladas pela internet antes mesmo da invasão. As outras são sim verdadeiras, mas todas tem uma explicação.

A dos cães sem pele na verdade era apenas uma parte sem pelo em uma parte do corpo, que foi explicada como um procedimento teste para uma nova pomada antibiótica. A língua cortada, de acordo com os representantes do instituto, não foi parte de nenhum teste, mas um acidente entre os próprios cães durante um momento de interação. O cão congelado também não era para nenhuma pesquisa, mas sim um procedimento para que fosse descoberto o que ocasionou sua morte, que aconteceu no dia anterior por causas desconhecidas. O último, que havia tido seus dentes “cruelmente” colados, foi submetido a um procedimento cirúrgico de reconstituição de uma fratura no maxilar. Foram realmente colados, mas para salvar a vida desse animal que precisava de cuidados especiais.

As informações descritas acima vieram do instituto, e foram convincentes, pelo menos aos olhos de um simples estudante de engenharia. Para os ativistas podem ter sido fracas e sem credibilidade, mas cabe a cada um posicionar-se. O fato é que esses cães, além também dos ratos e coelhos encontrados dentro dos três andares do prédio sede, eram usados para testar os medicamentos que nós, humanos, e também outros animais precisaríamos. Poderiam vir a salvar vidas.

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O que acontece é que o instituto não tinha como ocultar suas ações de órgãos fiscalizadores como o Concea, que é a comissão de ética que deve avaliá-lo. Os próprios ativistas presentes nela confirmam que não há como criar novos medicamentos sem usar nenhum tipo de animal. Esses bichos também não são utilizados por toda a vida. Após uma bateria de testes e enquanto forem necessários, serão usados, sempre tomando os devidos cuidados, mas após concluída, são tratados e doados para que tenham uma “vida normal”.

Não apenas Ricardinho, que é o animal dos dentes colados, mas muitos outros talvez precisassem de cuidados especiais, e sem essa ajuda acabariam morrendo. Os veterinários que acabam pegando-os para analisar após o roubo tem experiência o suficiente para cuidar deles? E aqueles que nem a veterinários forem levados? Bom, se sobreviverão ou não, não sabemos, tampouco qual a gravidade de alguns problemas, mas se eles precisavam de medicamentos, tinha um motivo. Além disso, muitas pesquisas foram simplesmente por água abaixo. Os trabalhos do instituto foram recentemente encerrados e todos os funcionários demitidos. Até que ponto os ativistas fizeram o que era certo?
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Cão com a língua cortada.

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Beagle encontrado congelado.

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Fontes: G1Folha de S.Paulo;

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O escândalo do Instituto Royal e o caso dos gatos-bonsai
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Tenho 18 anos e sou estudante de Engenharia Civil da Univix – Faculdade Brasileira, em Vitória, Espírito Santo.